Antonia


Andar com tal faceirice
N
os encantando, te digo
T
ua candura e meiguice
Onde vais levas contigo.
No lar tão bem protegida
Isso é teu seguro abrigo
Assim amada e querida!
maio de 2007

MASCARADOS ( Soneto premiado)

Por vezes mascarados nos tornando,
iludindo sem sombra de suspeita,
parecemos felizes ocultando
desventuras de vida insatisfeita.

Prantos em riso a fora disfarçando
todo pesar de mágoa não desfeita,
em máscara na face sepultando
cada lembrança sofrida que rejeita.

E assim nós prosseguimos deparando
com igual gente que vai escondendo
verdades que seu eu vem renegando.

Retiremos as máscaras tentando
agruras e aflições, já esquecendo,
em lampejos de fé ir transformando
!

ZENIA E ZILAH

Setenta e dois, os anos completados,
com irmã gêmea fui comemorar
e os idos, por nós duas palmilhados,
em comoção visível relembrar.

Por rumos a nós duas destinados,
com zelo nossos lares a formar
nós unimos intuitos e cuidados,
sem jamais nossos elos separar.

E hoje, neste encontro, é que saudosas,
infância e juventude renascidas
vêm despontar, sutis e nebulosas.

Assim após etapas já vencidas,
a velhice, sem horas temerosas,
a vivemos em Deus fortalecidas.

Fevereiro 2003.
ONDE MORA O AMOR (poesia premiada)

No bem que enobrece
de quem não esquece
do afeto espalhar,
o Amor tem guarida,
tem força, tem vida
a se eternizar.

Naquele extremado
que sacrificado
enjeita benesses,
Amor é sem medos,
levando segredos
a Deus entre preces.

No ser vacilante,
de alguém hesitante,
o Amor tem momento:
buscando confiança,
sonhada esperança
de renascimento.

Nos que sofredores,
ocultam mil dores
servindo ao irmão,
o Amor é certeiro
e assim verdadeiro
se faz perfeição.

São tantas moradas,
infindas pousadas
que o Amor pode ter.
Coração, no fundo,
o traga aninhado
pois clama este mundo
que o Amor seja amado!

Março 2003.

SONETO DA AUSÊNCIA
(para Deoclécio in memoriam)

Muito tempo de nós estás ausente
e aumenta sempre mais esta saudade;
em tudo te supomos tão presente
como se aqui estivesses de verdade.

Nossos filhos que amaste ternamente,
com exemplos de sã paternidade,
cada instante relembram gratamente
o que lhes deste de felicidade.

Hoje sentimos que desamparados,
de tua proteção necessitamos
para avante seguir fortificados.

E por todo desvelo recebido,
é a ti que nós sempre dedicamos
nosso empenho em lutar e ter vencido!
11 de agosto de 2002.

Nina (neta)

No desenho é criativa
Ilustrando com beleza,
No porte é imagem viva
A inspirar realeza.

Thamara (neta)

Tanta graça e sedução,
Há nessa menina moça
A despertar emoção.
Muito quer e já esboça
Ansias mil no coração:
Rumos, sonhos, charme, bossa
A vida em plena eclosão!

Miriah (filha)

Musical, otimista e carinhosa,
Irriquieta, com ares de menina,
Resoluta, dinâmica e vaidosa.
Incessante, procura embevecida,
Alcançar, por seus dotes, jubilosa,
Há muito mais pela Arte em sua vida!

Em 08 de maio de 2007.

Soneto Filhos

FILHOS Se pequeninos
aves implumes, quantos cuidados nos seus destinos! Filhos crescendo traçam jornadas, buscam caminhos. Vida escondendo seus escaninhos. Filhos adultos,
maioridade: rotas incertas, ânsias sem glória, redescobertas. Incompetências. Capacidades. Estranhos gritos de liberdades. Independentes, já nos escapam
do colo ameno. Rumam sem tempo, mundo é pequeno. E conformados
os apoiamos mas quantos sonhos nós soterramos...