MINHA MÃE Zilah - Poema Carla Fernandes

Era idos de sessenta

estavas ocupada, debruçada

sobre as classes escolares

zelosa professora primária.

E eu brincando no quintal

te esperava no fim das tardes

na soleira da porta

jogando no ar as cinco marias.

Junto de ti nas salas de aula

na grande mesa de tuas escolas

lanchava a mais deliciosa canjica.

Como uma aluna tua

recebia teus gestos generosos,

tua voz melodiosa a ensinar

frases, sílabas, canções de vida .

Nos idos de setenta

a morte te golpeou

tirando teu parceiro e admirador;

choramos juntas por longos anos

e o sofrimento não foi em vão:

continuamos unidas

porque teu gesto de mestra

sempre permanece

acolhe, integra, eleva.

Manténs a mesa sempre posta

com canjicas e vinho para todos

De tuas lágrimas surgiram palavras

suaves, musicais e verdadeiras

que distribuis ao mundo

em forma de poemas.

Carla Gonçalves Fernandes

Porto Alegre, 1º de maio de 2003

Bendito Amor

Bendito amor que junto a mim pressinto

embora neste mundo sem morada,

amparo e força tu me dás eu sinto

vivendo por teu zelo resguardada.


Bendito amor, agora eu já consinto

expor em rima aqui extravasada,

o tudo que prezaste e não extinto,

resplende a me guiar na caminhada.


Bendito amor grandioso na verdade,

de tão curta jornada, mas deixando

as marcas indeléveis da saudade.


Bendito amor terás perenidade:

com almas tão sofridas se encontrando,

felizes afinal na Eternidade!...


Outubro 2003.

Enviado p/ Concurso Vinicius de Moraes em 17.10.2003

NOSSAS BODAS

Em Pelotas, em 1953, início do namoro
(in memoriam)

Hoje bodas de ouro completando
do dia que foi lindo em nossas vidas
eu sozinha e tristonha, recordando
ternas cenas no âmago escondidas.


O teu tempo de ausência vou contando
cada dia por horas bem sofridas,
as lembranças só tuas resgatando
de valor e verdade revestidas.


Esta data prossigo venerando
e outras mais que nos foram tão sentidas
quando juntos um lar fomos formando.


Tantos anos as juras preservando,
vivo assim de saudades repetidas
e da crença que estás me acompanhando.

09 de julho de 2007.

AO HONÓRIO


Eu com minha irmã gêmea Zênia e no centro o caçula Honório

AO HONÓRIO


(por sua colação de grau em Direito,
dia 08 de março de 2008)

Hoje vês o teu sonho completado
pós esforço tenaz, imensurável,
ideal pela fé estruturado,
um triunfo a tornar-se memorável.

Otimismo em projeto planejado
dia a dia por senda infatigável,
tens agora teu mundo renovado
muito além do talvez imaginável.

Com simbólico traje te envolvendo
e sorrisos de júbilo a mostrar
- um feliz bacharel estamos vendo.

Tantas causas, irmão, a te esperar
nesse ofício tão nobre, que exercendo,
hás de muitas vitórias conquistar!


Porto Alegre, 04 de março de 2008.

Tio Dó


Homem simples dedicado à família Deoclécio era carinhosamente chamado de Tio Dó pelos sobrinhos...

Professor Deoclécio Reis Fernandes


Eis uma vida dedicada à Engenharia Química. Professor universitário em Pelotas o Dr.Deoclécio como era chamado morreu aos 48 anos e deixou muitas lembranças...

Ao Deoclécio

Em visita ao túmulo do saudoso Deoclécio em Pelotas no dia de seu aniversário depararo-me com o roubo sempre constante de floreiras e lápides... Inspiro-me para mais um soneto em sua homenagem...


NO TEU ANIVERSÁRIO - (23 de fevereiro)

Ao Deoclécio – in memoriam









Hoje em teu natalício ao decidir

não deixar-te tão só, abandonado,

o teu túmulo eu quero reflorir

pra teus anos oitenta ser lembrado.



Triste ao ver essa lousa a exibir

teu escrínio invadido e lacerado,

mesmo idosa, saúde a combalir

cá estou no afã deste cuidado.


Tenho amparos por guia ao caminhar:

- tu me fazes seguir fortalecida,

- nossos filhos a me incentivar.


Todos nós teus exemplos a lembrar

que por muita virtude merecida

junto a Deus já no Céu deves estar.


Porto Alegre, 23 de fevereiro de 2008.