Testemunho

No último encontro interpessoal no qual participei, proveitosa atividade que visa unir os grupos das várias oficinas na UNITI (Universidade da Terceira Idade) , com exposição de motivos para troca de idéias, nos foi apresentado, para análise e interpretação, o final do texto “arte de ser feliz “ de Cecília Meireles. Nele, em cada parágrafo, a escritora inicia dizendo “houve um tempo em que a minha janela se abria...” e descrevendo suas visões paisagísticas, termina, cada vez repetindo, “ e eu ficava completamente feliz”.

Freqüentando eu a UNITI desde 1999, quero dar meu testemunho nesta Jornada, em que se mostra e apresenta e a UNITI, quero, parafraseando a belíssima obra de Cecília Meireles, dizer-lhes:

- houve um tempo, desde menina, em que minha janela se abria para contemplações poéticas e compunha versos, redigia crônicas, rodeada pela família e sentia-me completamente feliz;

- houve um tempo, na juventude, em que minha janela se abria para espalhar ensinamentos a alunos ávidos por sabedoria e meu coração estava completamente feliz;

- houve um tempo em que minha janela se abria para a felicidade de um lar bem construído e minha alma ficava completamente feliz;

- houve um tempo em que de minha janela, com amargura, me vi sem incentivo pela perdas, de mãe, do marido e do pai , com filhos buscando seus próprios rumos, e então, soterrando minhas produções literárias, não podia e não estava feliz;

- houve um tempo porém em que de minha janela descortinei novos horizontes, conhecendo a UNITI e nela pela oficina de literatura,vi renascer minha capacidade de criar , adormecida pelas vicissitudes, e vibrando a cada inspiração, em prosa ou verso e com meus prêmios, me senti e considero que volto a ser feliz..

Concluirei com a parte final de Cecília Meireles, que nos foi apresentada: “mas quando falo dessas pequenas felicidades , que estão diante de cada janela, uns dizem que estas coisas não existem e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhá-las , para poder senti-las”.

Zilah Gonçalves Fernandes

Setembro 2002.

Minha Pelotas


Minha Pelotas


Muito tempo de ausência e volto aqui
revendo-te Pelotas, terra minha
no abandono, sem viço e pressenti
que paraste no tempo, pobrezinha.


A intensa luz que cintilava em ti
rica em saber e que nobreza tinha,
se extingue nos escombros que não vi
abalando teus brios, ó Princesinha.


Foste infância e de jovem meu abrigo
quando honrei teus costumes fielmente
e ao partir tua história foi comigo.


Volta Pelotas, à glória e realeza,
quero ver-te altaneira e novamente
liderando em cultura e na beleza.

Fevereiro 2003

Servir

SERVIR


Zilah Gonçalves Fernandes


Servir é causa bela e relevante
engrandecendo humanos corações,
desejosos de ver a todo instante
a paz unificando as gerações.


Um voluntário é força palpitante
a gerar só benéficas ações,
espalhando, no perto e no distante,
caridade sem fim, sem dimensões.


Quem serve tem em si Cristo presente
nas tantas espontâneas doações
ao irmão que tornou-se um ser carente.


Bendito aquele, nobre em intenções,
que compensado pelo Onipotente,
plantando um bem, há de colher milhões!


No 48° aniversário da Sociedade Beneficente

“PÃO DE SANTO ANTÔNIO” em 04.12.2002.

Nossos sete e nove

Nossos sete e nove



Minha irmã, cá estou eu regressando
para juntas, o “niver” festejar;
gêmeas somos, e mesmo longe estando
sempre amigas, sem nada a separar.



E são mútuos os nossos pensamentos
nesta fase da vida a transcorrer
quando tudo retorna por momentos
com remotas vivências a trazer.



Em Pelotas, o solo que prezamos
há lembranças por nós enraizadas
nos caminhos bem longos que trilhamos.



Mas seguimos assim, velhices sustentadas,
neste afã de servir a quem amamos
e por Deus, nosso Pai sendo guiadas!


Pelotas, em 26 de janeiro de 2010.
(Aniversário de Zenia e Zilah)

Marta Plass