Onde está o lirismo ?

Composta em quantidade, a poesia moderna, ainda que admirada, de alguma forma dificulta a divulgação das obras de poetas outrora apreciados.
Não totalmente contrária à poesia moderna, muito aprecio o encanto suave do versejar antigo. Na era do rap e da tecnologia, expressões modernas de efervescência e dinamismo, o lirismo das formas poéticas ausentou-se de vez.
Às belas estrofes de métrica e ritmo impecáveis juntam-se composições de versos mal feitos, a esmo, com motivos por vezes banais. Não se transmitem com tanta sentimentalidade as emoções da alma; em vez disso, esbanjam-se expressões difusas, dentro do que se propõe chamar de poesia objetiva.
O poeta contemporâneo expõe seu eu sem a preocupação primordial de ser compreendido. Tal forma poética não consegue penetrar no âmago do leitor de fina sensibilidade por ser desordenada e desconexa, produtos da era atual em que tudo marcha para a simplificação e o aniquilamento.
Embora o progresso extermine o que não condiz com o transcorrer evolutivo, é mister que subsista a poesia como expressão de sentimentos íntimos perpassados em versos.
Muitos jovens desconhecem obras poéticas de autores clássicos. Se desejarem rever criações antigas basta um clique no mouse para encontrá-las na Internet. Olavo Bilac, Machado de Assis, Raimundo Corrêa, Wamosy e outros podem ser reeditados para que a geração atual conheça e experimente o romantismo vivido por seus avós.
Pelo esquecimento e menosprezo à poesia é que o amor, este excelso sentimento, vem sendo deturpado, maculado e incompreendido.
Busquemos serenidade e conforto na tepidez de belas e delicadas criações poéticas quando agitados momentos modernos nos exigirem!

Testemunho

No último encontro interpessoal no qual participei, proveitosa atividade que visa unir os grupos das várias oficinas na UNITI (Universidade da Terceira Idade) , com exposição de motivos para troca de idéias, nos foi apresentado, para análise e interpretação, o final do texto “arte de ser feliz “ de Cecília Meireles. Nele, em cada parágrafo, a escritora inicia dizendo “houve um tempo em que a minha janela se abria...” e descrevendo suas visões paisagísticas, termina, cada vez repetindo, “ e eu ficava completamente feliz”.

Freqüentando eu a UNITI desde 1999, quero dar meu testemunho nesta Jornada, em que se mostra e apresenta e a UNITI, quero, parafraseando a belíssima obra de Cecília Meireles, dizer-lhes:

- houve um tempo, desde menina, em que minha janela se abria para contemplações poéticas e compunha versos, redigia crônicas, rodeada pela família e sentia-me completamente feliz;

- houve um tempo, na juventude, em que minha janela se abria para espalhar ensinamentos a alunos ávidos por sabedoria e meu coração estava completamente feliz;

- houve um tempo em que minha janela se abria para a felicidade de um lar bem construído e minha alma ficava completamente feliz;

- houve um tempo em que de minha janela, com amargura, me vi sem incentivo pela perdas, de mãe, do marido e do pai , com filhos buscando seus próprios rumos, e então, soterrando minhas produções literárias, não podia e não estava feliz;

- houve um tempo porém em que de minha janela descortinei novos horizontes, conhecendo a UNITI e nela pela oficina de literatura,vi renascer minha capacidade de criar , adormecida pelas vicissitudes, e vibrando a cada inspiração, em prosa ou verso e com meus prêmios, me senti e considero que volto a ser feliz..

Concluirei com a parte final de Cecília Meireles, que nos foi apresentada: “mas quando falo dessas pequenas felicidades , que estão diante de cada janela, uns dizem que estas coisas não existem e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhá-las , para poder senti-las”.

Zilah Gonçalves Fernandes

Setembro 2002.

Minha Pelotas


Minha Pelotas


Muito tempo de ausência e volto aqui
revendo-te Pelotas, terra minha
no abandono, sem viço e pressenti
que paraste no tempo, pobrezinha.


A intensa luz que cintilava em ti
rica em saber e que nobreza tinha,
se extingue nos escombros que não vi
abalando teus brios, ó Princesinha.


Foste infância e de jovem meu abrigo
quando honrei teus costumes fielmente
e ao partir tua história foi comigo.


Volta Pelotas, à glória e realeza,
quero ver-te altaneira e novamente
liderando em cultura e na beleza.

Fevereiro 2003

Servir

SERVIR


Zilah Gonçalves Fernandes


Servir é causa bela e relevante
engrandecendo humanos corações,
desejosos de ver a todo instante
a paz unificando as gerações.


Um voluntário é força palpitante
a gerar só benéficas ações,
espalhando, no perto e no distante,
caridade sem fim, sem dimensões.


Quem serve tem em si Cristo presente
nas tantas espontâneas doações
ao irmão que tornou-se um ser carente.


Bendito aquele, nobre em intenções,
que compensado pelo Onipotente,
plantando um bem, há de colher milhões!


No 48° aniversário da Sociedade Beneficente

“PÃO DE SANTO ANTÔNIO” em 04.12.2002.

Nossos sete e nove

Nossos sete e nove



Minha irmã, cá estou eu regressando
para juntas, o “niver” festejar;
gêmeas somos, e mesmo longe estando
sempre amigas, sem nada a separar.



E são mútuos os nossos pensamentos
nesta fase da vida a transcorrer
quando tudo retorna por momentos
com remotas vivências a trazer.



Em Pelotas, o solo que prezamos
há lembranças por nós enraizadas
nos caminhos bem longos que trilhamos.



Mas seguimos assim, velhices sustentadas,
neste afã de servir a quem amamos
e por Deus, nosso Pai sendo guiadas!


Pelotas, em 26 de janeiro de 2010.
(Aniversário de Zenia e Zilah)